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quinta-feira, 13 de abril de 2017

Caixas e Caixas de uma Campanha Eleitoral

Um ponto que é uma tônica desde que decidi redigir algumas linhas neste espaço é a facilidade em obter informações nos dias de hoje.

A Delação de Marcelo e demais membros da Odebrecht de fato foram a grande sensação da semana; os vídeos chamam mais atenção de que qualquer seriado do Netflix e ocupam o hot topics de vários grupos de Whatsapp.

A maior parte dos acusados de receber dinheiro de propina na Campanha Eleitoral (seja no Caixa 1 ou no Caixa 2) alegam que ou todas as doações foram registradas no TSE ou não reconhecem qualquer valor não contabilizado.

Uma dúvida veio à minha mente, quanto custa uma campanha eleitoral? Adicionalmente será que o Caixa 1 é tão pequeno que é necessário um Caixa 2 para pagar agrados, aspones e tirar um "por fora"?

Pois bem ao checar o site do TSE - Tribunal Superior Eleitoral há uma ferramenta muito útil chamada Prestação de Contas Eleitorais (http://www.tse.jus.br/eleicoes/contas-eleitorais/contas-eleitorais-normas-e-regulamentos). Nela o leitor mais curioso pode consultar as Receitas e Despesas de todos os candidatos à todos os cargos de cada eleição.

domingo, 2 de abril de 2017

Papo de Buteco

Nas últimas semanas tenho passado grande parte do meu tempo em bares, butecos e similares mas na medida do possível acompanho também o Debate Econômico para o qual a pauta do momento é a Reforma da Previdência. 

Por mais estranho que pareça muitas vezes a qualidade dos argumentos de (alguns) Economistas não fica muito longe da que observo nas mesas de Bar.

Num buteco ninguém exige rigor acadêmico dos participantes da discussão e após algumas rodadas de bebidas é provável que argumentos inconsistentes passem despercebidos. Porém quando se trata de Mestres e Doutores titulares de Grandes Universidades que em alguns casos possuem inclusive grande Espaço na Mídia seria plausível acreditar que a argumentação fosse sóbria e apoiada num alicerce um tanto mais sólido de que uma lata ou garrafa de cerveja.

Não é bem o que parece por intervenções recorrentes da ala keynesiana dos economistas tupiniquins nas últimas semanas. Esperar que Wagner Moura e Camila Pitanga (apesar de excelentes atores) tenham profundo conhecimento estatístico e econômico é acreditar no conto da carochinha porém um Doutor em Economia deveria ter um pouco mais de rigor quando abre sua boca para vociferar uma tese que não se sustenta.

A bola da vez é a confusão com o Conceito de Expectativa de Vida. Uma rápida pesquisa no Google indica que no Brasil a expectativa de vida média ao nascer é de 75 anos. Os piores Estados nesse quesito são Piauí e Maranhão que apresentam expectativa média de 70 anos. Quando se discute a fixação da idade mínima de 65 anos para aposentadoria é muito fácil (e conveniente) dizer que é uma medida cruel e que milhões de brasileiros morrerão sem se aposentar.

Para acabar com essa falácia Alexandre Schwartsman publicou nesta semana a variável que realmente importa na análise da Previdência que é a expectativa de vida ao se aposentar. Diferentemente do primeiro conceito que é poluído por fatores como Mortalidade Infantil e a Criminalidade nos Estados e Municípios o gráfico elaborado por Alex mostra que no Brasil uma pessoa ao completar 65 anos possui uma Expectativa Média de Vida de 83 anos (vide abaixo).

sábado, 11 de março de 2017

Experimentos

O Economista é um tipo de Cientista muito particular; nosso Laboratório muitas vezes é uma prancheta e uma planilha de Excel e em outras apenas a nossa fértil imaginação.

Diferente do Químico ou Farmacêutico que pode aplicar a Ciência e realizar testes empíricos, muitas vezes o Economista simplesmente fala sua Teoria com base em Convicções nem sempre apoiadas por Dados.

Muitas vezes trata-se de falta de rigor acadêmico porém em outras é de fato impossível realizar alguns testes ou mesmo coletar certos dados. 

Outras vezes um experimento é realizado sem ninguém planejar e serve de lição e aprendizado. Um caso clássico e triste foi o da Greve de Policiais no Espírito Santo.

Muito se debate sobre o papel do policiamento na manutenção da segurança e redução da criminalidade porém nem o mais maldoso economista iria propor o teste da hipótese "o que aconteceria com a criminalidade se tirássemos todos os policiais da rua?. Por uma série de fatores esse experimento aconteceu e o resultado foram cenas de barbárie similiares a do seriado Walking Dead.

Pois bem, no mundo econômico há uma situação intessante vislumbrada por Keynes o qual sugeriu enterrar garrafas cheias de dinheiro em minas de carvão desativadas para que as empresas retomassem a exploração gerando assim empregos e renda.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Dinheiro pra que Dinheiro?

Dificilmente ando com dinheiro na carteira, esse é um costume de longa data por pensar que independente do valor qualquer centavo rende mais investido do que na minha carteira ou no meu bolso.

Hoje em dia a facilidade dos meios de pagamento diminuiu em muito a demanda por dinheiro em espécie (notas e moedas). Se no passado lojistas não se sentiam confortáveis em processar pagamentos de pequeno valor no Cartão de Débito/Crédito (em virtude das tarifas cobradas pelas máquinas) hoje em dia ocorre fenômeno oposto, a escassez de "troco" está causando um fenômeno oposto, os lojistas se encontram em apuros quando alguém decide optar pelo pagamento em espécie.

Nesse cenário a famosa tática de dar "balinhas" como troco é uma alternativa porém está longe de ser algo amplamente aceito por consumidores.

No final de Julho de 2016 o aplicativo de compartilhamento de viagens Uber começou a aceitar dinheiro como meio de pagamento. Quando li a notícia achei uma medida sem sentido, talvez pela minha postura de nunca ter dinheiro em espécie não consegui enxergar qual a vantagem de tal decisão.

Na semana passada utilizei o Aplicativo e não pude deixar de realizar este questionamento, de forma simples perguntei ao motorista o que ele achava da medida. Me surpreendeu o fato dele responder que havia uma demanda considerável de pessoas que optava por pagar em dinheiro.

sábado, 28 de janeiro de 2017

Uma questão de Ponto de Vista

Há uma fábula sobre um Rei e um Vidente; buscando a interpretação um sonho o Rei recebeu uma notícia terrível, ele estava condenado à ver todos os que ama morrerem antes dele. Furioso com a interpretação ordenou imediatamente a morte do Vidente.

Solicitou que recrutassem um novo Vidente e ao solicitar uma nova interpretação ouviu uma noticia excelente, ele teria a mais longeva vida dentre seus familiares e teria a oportunidade de ver inúmeras gerações antes de falecer.

Conceitualmente ambas leituras são idênticas porém a forma que se mostra uma informação pode levar a reações totalmente opostas.

Em Economia Comportamental um livro referência já citado aqui é o Rápido e Devagar de Daniel Kahneman. Kahneman destaca diversos exemplos nessa linha como o de taxas de mortalidade de um procedimento médico; há uma reação negativa quando se destaca que 10% dos pacientes que passam por um determinado procedimento cirúrgico morrem e uma reação positiva quando se dá a mesma notícia destacando que 90% dos pacientes sobrevivem ao procedimento.

É preciso muita disciplina para não reagir desta forma em tais situações. Kahneman destaca que mesmo realizando o experimento acima para Médicos Experientes os mesmos reagiram da mesma forma que cidadãos comuns sem qualquer formação médica.

Assistindo à trechos da Operação Eficiência e o mandado de prisão do Empresário Eike Batista uma reportagem antiga veio à tona me deixou particularmente assustado (uma palavra estranha porém talvez seja a melhor definição para minha reação); Eike dizia:

"Eu me considero um Criador de Riqueza tal como um Compositor compõe uma música. As minhas notas por acaso são Dinheiro".

sábado, 14 de janeiro de 2017

O Ajuste Fiscal Campineiro... Jonas pode ser o futuro Pezão?

Sempre antes de escrever neste espaço fico impressionado com a facilidade de obter dados dos Gastos Públicos.

A Transparência é algo fundamental numa Democracia; é importante que cada cidadão esteja sempre atento com a utilização do Dinheiro Público.

Atualmente o caso mais emblemático de Ajuste Fiscal é sem dúvida o do Estado do Rio de Janeiro; a negociação conduzida pelo Ministro da Fazenda Henrique Meirelles e o Governador Pezão consolidará um marco na história da Administração Pública.

Muita coisa precisará ser revista e mais do que cortes de cargos públicos e privatizações o que de fato espero desse episódio é que palavras como Eficiência, Produtividade e Meritocracia sejam cada vez mais utilizadas dentre os Entes Públicos.

Na época de Vacas Gordas estes conceitos que já eram pouco utilizados foram estraçalhados e não à toa hoje temos que arregaçar as mangas e partir para um Ajuste de Contas justamente num período de Vacas Magras.

Aqui na cidade de Campinas, interior de São Paulo, desde Outrubro de 2016 o Prefeito Jonas Donizette começou a pedalar o salário de funcionários públicos. Resolvi dar uma olhada nas Contas Públicas do Município e focar principalmente no Gasto.

A primeira tabela mostra as Despesas de Campinas no ano de 2016 sob dois prismas: Gastos por Área e Gastos por Natureza

domingo, 1 de janeiro de 2017

Tostines vende mais porque é fresquinho? Ou é fresquinho porque vende mais?

Nos idos da década de 90 havia este comercial do Biscoito Tostines em que um rapaz subia ao cume duma montanha onde um Sábio meditava e lhe questionava a pergunta tema deste post.

Seria a frescabilidade do Biscoito a responsável pelo número expressivo de vendas ou o volume de vendas e alto giro do produto permitia a disponibilização de biscoitos mais frescos dos que os concorrentes?

Pois bem, o que eu gosto dessa propaganda é a brincadeira que se faz com o conceito de Causalidade, extremamente importante em Economia apesar de muitos Cegos Apóstolos da Teologia do Almoço Grátis discordarem.

De forma simples há casos em que uma variável "a" pode causar (ou explicar) uma variação na variável "b" porém a recíproca pode não ser verdadeira. Em outros casos há uma grande correlação entre as variáveis e isso pode levar ao que chamamos de Correlações Espúrias.

Tive minha primeira aula de Estatística em 2005 num Curso Técnico e o Professor Sólon naquela época já elucidava este conceito numa Análise de Mortes Causadas pelo Câncer e Consumo de Água. Como todos os pacientes de Câncer consumiam Água (em menor ou maior quantidade) a Correlação entre as Duas varíaveis beirava o 100%.

Obviamente não podemos dizer que consumo de água causa ou eleva a probabilidade de uma pessoa ter Câncer ou que o fato de uma pessoa ter Câncer induz o Consumo de Água.