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segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Catarse e Letargia

Há algumas palavras e expressões que só usamos na vida quando queremos causar impacto como, por exemplo, numa redação de vestibular/concurso, num debate acadêmico, numa entrevista ao jornal ou mesmo numa roda de amigos.

Chega a ser curioso imaginar que apesar de um vasto vocabulário (vide a grossura dos dicionários que temos) acabamos usando muito algumas palavras e outras muito pouco. Ouso dizer que muitos morrerão sem sequer usar as palavras catarse e letargia, títulos deste post.

Segundo o Wikipedia catarse pode ser usada em diferentes contextos:
I.                    psicanálise – experimentar da liberdade em relação a alguma situação opressora
II.                  arte – reação diante de descarga emocional profunda
III.                religião – forte reação emocional presente em ritos e pregações

De um modo ilustrativo a catarse é quando algo muda de forma tão substancial que lhe deixa chocado, pasmo, espantado frente a reviravolta ocorrida na sua vida ou na de outra pessoa.

Já letargia tem dois principais significados:
I.                    estado de profunda e prolongada inconsciência, semelhante ao sono profundo, do qual a pessoa pode ser despertada, mas ao qual retorna logo a seguir
II.                  incapacidade de reagir e de expressar emoções, apatia, inércia ou desinteresse

A letargia apesar do nome pomposo é algo bem mais comum para nós do que imaginamos quando ouvimos a palavra. Talvez, um dia alguém crie uma gíria ou expressão popular como “essa aula é total letargia” ou “esse rolê é letargia pura”.

Mas por que resolvi tirar um dia para escrever sobre palavras sofisticadas?

Às vezes me ocorrem alguns lampejos quando estou diante de situações, digamos, peculiares. Estas palavras me vieram à mente ao constatar o papel de alguns políticos do House of Cards Tupiniquim, em especial Michel Temer e Aécio Neves.

domingo, 29 de outubro de 2017

Thaler e o Tique Azul do Whatsapp

No dia 9 de novembro foi anunciado o nome de Richard Thaler como vencedor do Prêmio Nobel de Economia 2017 ou para aqueles mais rigorosos o Prêmio do Banco da Suécia para as Ciências Econômicas em memória de Alfred Nobel.

Além de cerca de 1 milhão de dólares o prêmio é mais um marco para a Economia Comportamental, tema já tratado neste espaço algumas vezes principalmente destacando as contribuições de Daniel Kahneman, laureado com o Nobel em 2002.

Apesar de passados quase 20 dias da notícia, o que reflete em parte a dificuldade deste escriba em achar tempo para sentar e escrever, o fato de mais uma premiação da Economia Comportamental me fez pensar como o ser humano adapta ou modifica seu comportamento e forma de pensar. 

Uma forma didática de traduzir uma idéia é pensar em extremos, por exemplo, vamos imaginar a época em que Adam Smith escreveu o célebre livro A Riqueza das Nações (século XVIII). O famigerado exemplo da especialização de trabalho numa fábrica de alfinete mais do que reforçar a ideia de diferenças na produtividade dependendo do modelo de organização industrial refletia os dilemas de uma sociedade que começava a sentir os efeitos da Revolução Industrial e a migração do trabalho artesanal para a utilização de grandes máquinas.

Hoje os grandes dilemas da sociedade vão muito além de organizar uma atividade dentro de uma fábrica, aliás hoje a produção pode ser feita em qualquer parte do mundo e controlada em tempo real por meio de computadores que diminuem cada vez mais a ação do ser humano no processo.

Nesse sentido o conjunto de escolhas e decisões de um empresário hoje difere muito daquelas da época de Adam Smith, apesar de muitos dos aprendizados do seu livro ainda tanta coisa mudou que seria estranho assumir que o autor conseguiria antever de forma quase mediúnica tudo que estaria por vir.

Hoje o que mais me surpreende no comportamento humano é a reação frente às novas tecnologias e o fluxo de informações. 

terça-feira, 3 de outubro de 2017

O fio da meada

No período da Revolução Industrial a atividade têxtil foi transformada substancialmente pela introdução das máquinas à vapor. Tais equipamentos continham um suporte para as meadas (rolos de fios) e cabia aos funcionários da indústria pegar o fio deste rolo e encaixá-lo na máquina para alimentar a fabricação de tecidos.

Por desatenção, cansaço ou falta de foco alguns funcionários não se atentavam à diminuição dos rolos e em alguns casos a máquina ficava sem fios para continuar a produção de tecidos. Nestes casos era dito que a máquina havia perdido o fio da meada.

Não à toa hoje usamos a expressão perder o fio da meada para descrever momentos de distração ou confusão num raciocínio.

Hoje ao olhar o cenário da economia brasileira há alguns sinais que nos fazem vislumbrar um futuro digamos promissor; claro que a recessão econômica dos últimos anos foi tão severa que é difícil imaginar que os próximos anos seriam ainda piores, porém o consenso do mercado divulgado nas últimas pesquisas do Banco Central acerca da retomada do crescimento é significativo. 

Em cerca de 4 semanas a expectativa para o crescimento do PIB neste ano avançou de 0,50% para 0,70% e para 2018 a evolução foi de 2,00% para 2,38%.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

A corrupção nossa de cada dia

Há diferentes graus ou níveis de corrupção? Ou em outras palavras há corrupçãozinha e corrupçãozona?

Para deixar mais claro vamos exemplificar alguns casos:

I – passar por baixo da catraca no transporte público após completar 6 anos de idade (idade limite da gratuidade para crianças)
II – “baixar” ou assistir filmes em links da internet ao invés de assinar os canais de TV à cabo ou Streaming
III – download de músicas fora dos canais licenciados (sem pagar os direitos autorais)
IV – incluir um membro da família ou despesas de terceiros na Declaração de Imposto de Renda para diminuir o Imposto Pago
V – perceber que recebeu um troco errado (à maior) e não comunicar a pessoa
VI – comprar um ingresso meia entrada mesmo sem ser estudante na esperança de não pedirem a carteira estudantil na porta do evento

Nestes exemplos bem singelos é muito fácil buscar na memória e lembrar-se de alguém que já tenha cometido algum ou alguns dos atos quando não nós mesmos.

Um artifício explorado pelo ser humano para amenizar ou mesmo apagar qualquer sentimento de culpa nessas situações é traçar uma retórica de normalidade; argumentos como “muita gente faz o mesmo”, “esse dinheiro não fará falta” ou “tem gente que faz coisa muito pior e saí impune” estão nessa linha de suavizar algo que strictu sensu é errado e ilegal.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

O salário mensal de R$ 21 mil para um professor universitário é muito baixo?

Se você perguntar para um assalariado se o mesmo merece um salário maior dificilmente ouvirá uma resposta do tipo “imagina, o que eu recebo já é mais do que o suficiente”.

Alguns podem dizer que deveriam receber mais porque são mais qualificados do que a função exige ou mesmo porque possuem habilidades superiores à média do mercado. Outra abordagem é apontar que o salário recebido é muito baixo para o custo de vida atual e manutenção de despesas médicas, escolares, habitacionais, etc.

O grande debate do momento é como reduzir as despesas obrigatórias do Governo as quais grosso modo são Folha Salarial e Aposentadoria.

Nesse sentido é no mínimo questionável o apontamento do Reitor da UNICAMP de que o salário mensal de R$21 mil é muito baixo para atrair bons profissionais.

Na mesma linha magistrados reclamam que o teto salarial de R$ 33 mil está defasado  e inclusive usam este argumento para justificar verbas indenizatórias das mais diversas como o caso dos juízes do Acre que recebiam gratificação de 40% por terem curso superior (mesmo sendo um requisito obrigatório para um juiz).

Sem entrar no debate ideológico vamos ver alguns dados para entender em que andar da pirâmide salarial estão os nossos estimados professores universitários. Utilizaremos como base os dados das Declarações deImposto de Renda Pessoa Física da Receita Federal com a ressalva que alguns profissionais liberais e trabalhadores informais não estão neste relatório.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Concordar em Discordar, O Complexo de Pitbull e o Efeito Dunning-Kruger

“If you put two economists in a room, you get two opinions, unless one of them is Lord Keynes, in which case you get three opinions.”

Esta frase do célebre Primeiro Ministro e Prêmio Nobel de Literatura Winston Churchill (já utilizada em outras ocasiões neste espaço) revela uma característica um tanto quanto peculiar à classe dos economistas, algo que pode ser traduzido como concordar em discordar.

A Economia como ciência é um tanto quanto diferente de outras ciências pelo peso da interpretação. Um procedimento científico à rigor requer que uma hipótese seja testada por meio de um ou mais tipos de experimento e se atendidos certos parâmetros estatísticos de robustez é possível validar ou invalidar nosso questionamento inicial.

Porém a Economia por aqui parece cada vez mais uma conversa sobre futebol num buteco em que cada um começa a discussão cheio de vieses e paixões; tomemos como exemplo um torcedor palmeirense o qual tem maior probabilidade de afirmar que seu time possui 9 Títulos Nacionais (Taças Brasil 60 e 67, Robertão 67 e 69 e Brasileirão 72, 73, 93, 94 e 16) do que um torcedor do Corinthians que possui apenas os Títulos do Brasileirão (90, 98, 99, 05, 11 e 15).

A discussão é puramente conceitual, pois se considerarmos apenas os torneios organizados pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) o Corinthians leva a vantagem no placar de 6 x 5 enquanto se considerarmos todos os Campeonatos Nacionais (organizados pela CBF ou não) o Palmeiras vence a disputa por 9 x 6.

Quem define quem está certo e quem está errado nesse caso? Em dezembro de 2010 a CBF após analisar o "Dossiê pela Unificação dos Títulos Brasileiros a Partir de 1959", assinado por José Carlos Peres, fundador da ONG Santos Vivo, e pelo jornalista Odir Cunha decidiu também reconhecer como Campeões Brasileiros os vencedores dos torneios Taça Brasil e Roberto Gomes Pedrosa, o “Robertão”.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Mais uns trocados na conta

Quando começamos a trabalhar e recebemos o primeiro "contra-cheque" tomamos um susto ao ver o montante expressivo de descontos (FGTS, INSS, Contribuição Sindical, etc).

De todos estas contribuições compulsórias a que mais me incomodava era o FGTS pois era um investimento financeiramente horroroso. Você era obrigado a contribuir com um Fundo que não obtinha lucro e ainda por cima lhe remunerava à uma taxa de 3.0% + TR que sequer cobria a inflação (historicamente).

Além disso o saque só era possível em condições extremamente restritas como doenças graves, demissão sem justa causa ou compra de imóvel.

Este cenário mudou radicalmente neste ano primeiramente pela liberação do saque das contas inativas que disponibilizou R$ 44 bilhões aos trabalhadores brasileiros e agora quando menos se esperava outra boa notícia vindo do mesmo tema; dado que o FGTS obteve lucro em 2016 todos os trabalhadores que possuíam saldo no Fundo em 31 de dezembro de 2016 receberão um depósito de uma parcela dos R$ 7 bilhões dos lucros que serão distribuídos.

Para calcular quanto pingará na sua conta do FGTS basta pegar o saldo de dezembro do ano passado e multiplicar por 1.93%.