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terça-feira, 3 de outubro de 2017

O fio da meada

No período da Revolução Industrial a atividade têxtil foi transformada substancialmente pela introdução das máquinas à vapor. Tais equipamentos continham um suporte para as meadas (rolos de fios) e cabia aos funcionários da indústria pegar o fio deste rolo e encaixá-lo na máquina para alimentar a fabricação de tecidos.

Por desatenção, cansaço ou falta de foco alguns funcionários não se atentavam à diminuição dos rolos e em alguns casos a máquina ficava sem fios para continuar a produção de tecidos. Nestes casos era dito que a máquina havia perdido o fio da meada.

Não à toa hoje usamos a expressão perder o fio da meada para descrever momentos de distração ou confusão num raciocínio.

Hoje ao olhar o cenário da economia brasileira há alguns sinais que nos fazem vislumbrar um futuro digamos promissor; claro que a recessão econômica dos últimos anos foi tão severa que é difícil imaginar que os próximos anos seriam ainda piores, porém o consenso do mercado divulgado nas últimas pesquisas do Banco Central acerca da retomada do crescimento é significativo. 

Em cerca de 4 semanas a expectativa para o crescimento do PIB neste ano avançou de 0,50% para 0,70% e para 2018 a evolução foi de 2,00% para 2,38%.

Ainda mais importante é notar que a inflação se mostra extremamente comportada quando medida pelo IPCA; estima-se o avanço dos preços de 2,95% e 4,06% para os anos de 2017 e 2018 respectivamente.

Inclusive neste ano provavelmente teremos uma situação inédita de não cumprir o piso de inflação de 3,50%, ou seja, o Presidente do Banco Central deverá escrever uma Carta ao Ministro da Fazenda justificando os motivos de uma inflação tão baixa, algo inimaginável há alguns anos.

Nesse cenário benigno os juros devem cair ainda mais e a expectativa do mercado é que a SELIC (taxa básica de juros da economia) atualmente em 8,25% feche o ano em 7% e este patamar seja mantido durante o próximo ano.

Por fim o emprego também começa a dar sinais de recuperação; a última pesquisa do IBGE referente ao trimestre encerrado em agosto apontou redução da taxa de desocupação de 13,3% para 12,6% o que representa cerca de 1.4 milhão de pessoas reinseridas no mercado de trabalho segundo os dados do instituto.

Tudo isso posto devemos estar otimistas com o futuro da nação não? Afinal, o pior já passou e estamos muito bem posicionados para a retomada correto?

Apesar de começarmos a ficar bem na foto é preciso ter cautela, apesar de tudo as Contas Públicas ainda preocupam. Hoje há um teto para o crescimento das despesas públicas, mas as ferramentas para cumpri-lo ainda não estão consolidadas, à exemplo dos desafios para aprovação da Reforma Previdenciária.

Além disso, a chegada do ano eleitoral e as incertezas do direcionamento adotado pelo sucessor da Presidência podem mudar drasticamente este cenário principalmente se forem retomadas medidas populistas que nos joguem novamente ao descalabro fiscal.

Mais do que nunca é hora de ficarmos atentos e saber que por mais que a máquina esteja rodando bem uma falha na substituição dos rolos dos fios pode parar toda a produção. O país tem uma grande oportunidade de avançar numa trajetória de crescimento sustentável e seria decepcionante perdermos este fio da meada seja por achar que nada mais precisa ser feito ou mesmo por apostar novamente em políticas (e políticos) que já se mostraram fracassos retumbantes.



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