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domingo, 24 de julho de 2016

Time is Money!

Deixando momentaneamente os problemas de Brasília de lado vou retomar alguns pontos do velho Manual de Microeconomia.

Hoje estive no Palestra Itália (atualmente Allianz Parque); para os ingressos comprados pela Internet é necessário retirar o voucher/ticket de acesso nas Bilheterias.

Meu ingresso era para um setor com acesso pela Turiaçu (atualemente Rua Palestra Itália) mas há duas Bilheterias no Estádio, uma localizada nesta Rua e outra na Avenida Francisco Matarazzo.

O primeiro instinto foi caminhar para a Bilheteria da Turiaçu uma vez que estaria ao lado do Portão do Acesso do meu setor porém chegando lá havia uma extensa fila que passava por todas as barracas de lanche de pernil chegando quase a Avenida Franscico Matarazzo.

Faltavam quase 2 horas para o jogo porém pelo andar da carruagem pelo menos metade desse tempo eu passaria esperando naquela fila. Pensando não ter muito a perder decido então verificar a fila da Bilheteria da Av Matarazzo e para minha surpresa a fila estava muito menor.

Resultado, retirei o ingresso na Matarazzo e caminhei até a Turiaçu para assistir ao jogo gastando muito menos tempo numa Fila e podendo por exemplo cotar e comparar as iguarias dos inúmeros Caminhões de Comida (os famigerados Food Trucks).

domingo, 17 de julho de 2016

O Regresso

Numa expedição na Dakota do Sul em 1823 o comerciante de peles Hugh Glass é atacado por um Urso e deixado para trás pelos companheiros às margens do Rio Missouri.
 
Hugh passa por maus bucados uma vez que saiu do embate com as pernas quebradas, sem escalpo e garganta perfurada ou como diziam na minha infância "só o pó da rabiola".
 
Apesar de estar aos frangalhos lentamente nosso personagem encontra forças para se recuperar e ir atrás daqueles que lhe abandonaram. Esta história inspirou o filme Hollywodiano "O Regresso" e considero um paralelo interessante para a situação da Economia Brasileira.
 
O Governo Temer não é um suceso de popularidade e aprovação. Desemprego alto, inflação que não cede, e juros são elevados compõe um cenário no qual nem Leonardo Di Caprio na Presidência teria uma aprovação muito superior aos 13% divulgados pelo Ibope.
 
Porém depois de um longo período de queda os indicadores de confiança do IBRE da FGV apontam o início de uma reversão na tendência. Veja abaixo os gráficos para as três sondagens realizadas (Comércio, Consumidor e Indústria) nos quais valores superiores a 100 apontam otimismo:

domingo, 10 de julho de 2016

O Enigma da Esfinge

A palavra Esfinge deriva do grego sphingo e significa estrangular. Reza a lenda que a temida Esfinge estrangulava todos os que não conseguiam desvendar seus engimas ficando famosa a expressão por ela proferida "Decifra me ou te devoro".
 
Na mitologia acredita-se que o mais famoso enigma consistiu na pergunta "Que criatura pela manhã tem quatro pés, ao meio dia tem dois e à tarde tem três?"
 
Outra questão que para muitos parece tão ou mais enigmática é qual o real comprometimento do Governo Interino de Michel Temer com um Ajuste Fiscal de Longo Prazo principalmente após anunciar uma estimativa de Déficit Primário de R$ 139 bilhões para 2017.
 
Será que o Dream Team de Economistas capitaneado por Henrique Meirelles e Ilan Goldfajn já não teria tempo para apresentar um resultado positivo?
 
Ademais, após um Discurso de Posse de Austeridade chama atenção alguns atos digamos mais frouxos como o Reasjuste Salarial do Funcionalismo Público com impacto estimado de R$ 58 bilhões até 2019 e a Renegociação da Dívida dos Estados os quais deixarão de pagar cerca de R$ 20 bilhões em juros só em 2016 e um total de R$ 50 bilhões até 2018.

domingo, 3 de julho de 2016

Chi Chi Chi Le Le Le

O Chile há algum tempo vem gahando destaque não apenas no Futebol (no qual dentre outras proezas sagraram-se recentemente Bicampeões da Copa América em cima da Argentina e por tabela "aposentaram" o gênio e melhor jogador que já vi jogar Lionel Messi da Seleção Hermana) mas também no Cenário Econômico.
Estive no país e percorrendo a cidade cercada pela Cordilheira e desfrutrando de bons vinhos também tive a oportunidade de pegar um rápido panorama do Segundo Mandato da Presidenta Socialista Michel Bachelet. Estava de férias mas certos vicíos de olhar o mundo sob a lupa do Economista são difíceis de largar.
Além de um viés Estatizante e defesa de um Estado Forte Bachelet guarda outra semelhança com nossa Presidenta Afastada, ambas se formaram em Economia. Michele leu da mesma parca literatura que inspira muitos dos ícones da Heterodoxia Tupiniquim e quer aproveitar seu Segundo Mandato para realizar alguns Experimentos.
Em seu primeiro mandato (2006-2010), tal como no primeiro mandato Petista no Brasil, Bachelet decidiu manter o receituário econômico de Mercado Livre e Concorrencial e o Chile manteve um bom Crescimento Econômico;  seu nível de aprovação atingiu cerca de 84% ao final do período em que governou.
No Chile não há reeleição presidencial então Bachelet teve que aguardar até 2014 para se candidatar e retornar ao poder. Sua principal plataforma foi a Reforma Educacional e a promessa de Ensino Superior Gratuito (o plano possui outras frentes populistas porém para não me estender muito focarei nesse pilar; uma boa matéria sobre o panorama geral pode ser lida aqui.)
No Chile mesmo Universidades chamadas de Públicas não são gratuitas. Nesses casos o Governo oferece um subsídio às Escolas visando reduzir os custos da Entidades e dessa forma reduzir a mensalidade cobrada dos alunos.

domingo, 19 de junho de 2016

Realidade Paralela

Tenho grande apreço pelo trabalho das Univesidades Públicas e tive a oportunidade de ter cursado um Ensino Superior de Qualidade graças ao bom trabalho de Funcionários Públicos e em especial da Sociedade que destina cerca de 5% do ICMS para custear os gastos da Universidade de São Paulo - USP.
 
Para ter uma noção do "esforço" da sociedade a cifra prevista para 2016 é de algo em torno de R$ 5.0 bi. Desse valor destaca-se que cerca de 97.6% são destinados a Folha Salarial dos Funcionários da USP enquanto 1.36% são destinados a Investimentos.
 
Para o ano de 2016 a USP planeja comprometer 103% das suas receitas com a Folha Salarial e o leitor atento concluiu que essa conta só fecha se houve Déficit nas Contas da Universidade, o qual foi estimado em cerca BRL 546 mi para este ano.
 
Diante deste cenário, obviamente insustentável, há dois caminhos: I. revisar a estrutura de gastos da Universidade e analisar se há "gordura" para cortar ou II. pedir ao Governo que aumente o repasse de ICMS para permitir entre outras coisas um Aumento Salarial mais adequado para os Funcionários da Universidade.

sábado, 11 de junho de 2016

A Foto e o Filme

Um abordagem muito utilizada quando se analisa uma empresa ou um país é a diferença entre a situação naquele momento (uma foto ou posição estática) e a perspectiva (o filme ou projeção dinâmica).
 
Em geral uma foto bonita somada a bons argumentos leva um Analista Econômico à projetar um belo filme e de forma análoga uma foto feia e/ou perspectivas ruins impactam negativamente as Projeções e Cenários Econômicos.
 
No caso brasileiro um bom exemplo do descolamento do que se projetava e o que se concretizou foram as capas da Economist:


Se esperava muito do país porém uma sério de erros de Política Econômica somados à gravíssimos escandâlos de corrupção nos levaram ao atual cenário.
 
Atualmente o grande debate é como colocar a Economia de volta aos trilhos e estabilizar as Finanças Públicas. Um excelente post do professor Bernardo Guimarães destaca o Tamanho da Encrenca da atual Equipe Econômica.
 
Apesar do excelente time liderado por Henrique Meirelles e Ilan Goldfajn montado pelo Presidente interino Michel Temer hoje o país se encaminha para uma Dívida Bruta de cerca de 70% do PIB, um Déficit Primário projetado de quase 3% do PIB e perspectivas modestas de Crescimento do PIB
 
Em seu post Bernardo destrincha o esforço necessário para estabilizar a Relação Dívida/PIB; aproveitei a deixa para colocar em termos gráficos a situação nos próximos 6 anos com alguns ajustes nas premissas adotadas (os valores estão em % do PIB):

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Sobre Midas e Guido Mantega

O Toque de Ouro é um famoso mito atribuído ao Rei Midas na Mitologia Grega; aliás Midas de fato existiu e reinou na Frígia (uma região hoje pertencente a Turquia) no século VIII a.c.
 
Na mitologia grega Midas foi agraciado com um desejo pelo deus Baco (o famoso deus do Vinho) após ter cuidado do velho Sileno, pai de criação de Baco, o qual após tomar umas e outras foi encontrado ao relento.
 
Podendo escolher o que quisesse Midas pediu a Baco "todo o ouro em que pudesse pôr as mãos". Talvez o Rei tenha se expressado mal porém o que acontecera é que tudo o que ele encostava transformava-se em ouro. No princípio poderia parecer algo interessante mas alguns problemas não tardaram em aparecer como o fato de Midas não puder sequer se alimentar  já que todo alimento que tocava transformava-se em ouro e o pior, a própria filha de Midas ao encostar no pai fora também transformada em ouro.
 
Os mais curiosos podem buscar na internet o desfecho da história; porém há outro mito um pouco menos famoso sobre Midas. Numa espécie de The Voice entre a Harpa de Apolo, o deus Sol e a Flauta de Pã, o deus dos Bosques no qual o jurado era Timolo, o deus das Montanhas, Midas questionou a vitória de Apolo o qual ficara furioso e como punição pelo audacioso comentário conferiu Orelhas de Burro à Midas.
 
O que tudo isso tem a ver com Guido Mantega? Alguns leitores podem considerar que as Orelhas de Burro de Midas caberiam perfeitamente na cabeça do Professor Guido porém a maior semelhança que acredito decorre do fato de que em algum momento ao longo dos 9 anos em que liderou o Ministério da Fazenda Guido de fato acreditara que possuía o Toque de Ouro de Midas.