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terça-feira, 3 de outubro de 2017

O fio da meada

No período da Revolução Industrial a atividade têxtil foi transformada substancialmente pela introdução das máquinas à vapor. Tais equipamentos continham um suporte para as meadas (rolos de fios) e cabia aos funcionários da indústria pegar o fio deste rolo e encaixá-lo na máquina para alimentar a fabricação de tecidos.

Por desatenção, cansaço ou falta de foco alguns funcionários não se atentavam à diminuição dos rolos e em alguns casos a máquina ficava sem fios para continuar a produção de tecidos. Nestes casos era dito que a máquina havia perdido o fio da meada.

Não à toa hoje usamos a expressão perder o fio da meada para descrever momentos de distração ou confusão num raciocínio.

Hoje ao olhar o cenário da economia brasileira há alguns sinais que nos fazem vislumbrar um futuro digamos promissor; claro que a recessão econômica dos últimos anos foi tão severa que é difícil imaginar que os próximos anos seriam ainda piores, porém o consenso do mercado divulgado nas últimas pesquisas do Banco Central acerca da retomada do crescimento é significativo. 

Em cerca de 4 semanas a expectativa para o crescimento do PIB neste ano avançou de 0,50% para 0,70% e para 2018 a evolução foi de 2,00% para 2,38%.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

A corrupção nossa de cada dia

Há diferentes graus ou níveis de corrupção? Ou em outras palavras há corrupçãozinha e corrupçãozona?

Para deixar mais claro vamos exemplificar alguns casos:

I – passar por baixo da catraca no transporte público após completar 6 anos de idade (idade limite da gratuidade para crianças)
II – “baixar” ou assistir filmes em links da internet ao invés de assinar os canais de TV à cabo ou Streaming
III – download de músicas fora dos canais licenciados (sem pagar os direitos autorais)
IV – incluir um membro da família ou despesas de terceiros na Declaração de Imposto de Renda para diminuir o Imposto Pago
V – perceber que recebeu um troco errado (à maior) e não comunicar a pessoa
VI – comprar um ingresso meia entrada mesmo sem ser estudante na esperança de não pedirem a carteira estudantil na porta do evento

Nestes exemplos bem singelos é muito fácil buscar na memória e lembrar-se de alguém que já tenha cometido algum ou alguns dos atos quando não nós mesmos.

Um artifício explorado pelo ser humano para amenizar ou mesmo apagar qualquer sentimento de culpa nessas situações é traçar uma retórica de normalidade; argumentos como “muita gente faz o mesmo”, “esse dinheiro não fará falta” ou “tem gente que faz coisa muito pior e saí impune” estão nessa linha de suavizar algo que strictu sensu é errado e ilegal.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

O salário mensal de R$ 21 mil para um professor universitário é muito baixo?

Se você perguntar para um assalariado se o mesmo merece um salário maior dificilmente ouvirá uma resposta do tipo “imagina, o que eu recebo já é mais do que o suficiente”.

Alguns podem dizer que deveriam receber mais porque são mais qualificados do que a função exige ou mesmo porque possuem habilidades superiores à média do mercado. Outra abordagem é apontar que o salário recebido é muito baixo para o custo de vida atual e manutenção de despesas médicas, escolares, habitacionais, etc.

O grande debate do momento é como reduzir as despesas obrigatórias do Governo as quais grosso modo são Folha Salarial e Aposentadoria.

Nesse sentido é no mínimo questionável o apontamento do Reitor da UNICAMP de que o salário mensal de R$21 mil é muito baixo para atrair bons profissionais.

Na mesma linha magistrados reclamam que o teto salarial de R$ 33 mil está defasado  e inclusive usam este argumento para justificar verbas indenizatórias das mais diversas como o caso dos juízes do Acre que recebiam gratificação de 40% por terem curso superior (mesmo sendo um requisito obrigatório para um juiz).

Sem entrar no debate ideológico vamos ver alguns dados para entender em que andar da pirâmide salarial estão os nossos estimados professores universitários. Utilizaremos como base os dados das Declarações deImposto de Renda Pessoa Física da Receita Federal com a ressalva que alguns profissionais liberais e trabalhadores informais não estão neste relatório.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Concordar em Discordar, O Complexo de Pitbull e o Efeito Dunning-Kruger

“If you put two economists in a room, you get two opinions, unless one of them is Lord Keynes, in which case you get three opinions.”

Esta frase do célebre Primeiro Ministro e Prêmio Nobel de Literatura Winston Churchill (já utilizada em outras ocasiões neste espaço) revela uma característica um tanto quanto peculiar à classe dos economistas, algo que pode ser traduzido como concordar em discordar.

A Economia como ciência é um tanto quanto diferente de outras ciências pelo peso da interpretação. Um procedimento científico à rigor requer que uma hipótese seja testada por meio de um ou mais tipos de experimento e se atendidos certos parâmetros estatísticos de robustez é possível validar ou invalidar nosso questionamento inicial.

Porém a Economia por aqui parece cada vez mais uma conversa sobre futebol num buteco em que cada um começa a discussão cheio de vieses e paixões; tomemos como exemplo um torcedor palmeirense o qual tem maior probabilidade de afirmar que seu time possui 9 Títulos Nacionais (Taças Brasil 60 e 67, Robertão 67 e 69 e Brasileirão 72, 73, 93, 94 e 16) do que um torcedor do Corinthians que possui apenas os Títulos do Brasileirão (90, 98, 99, 05, 11 e 15).

A discussão é puramente conceitual, pois se considerarmos apenas os torneios organizados pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) o Corinthians leva a vantagem no placar de 6 x 5 enquanto se considerarmos todos os Campeonatos Nacionais (organizados pela CBF ou não) o Palmeiras vence a disputa por 9 x 6.

Quem define quem está certo e quem está errado nesse caso? Em dezembro de 2010 a CBF após analisar o "Dossiê pela Unificação dos Títulos Brasileiros a Partir de 1959", assinado por José Carlos Peres, fundador da ONG Santos Vivo, e pelo jornalista Odir Cunha decidiu também reconhecer como Campeões Brasileiros os vencedores dos torneios Taça Brasil e Roberto Gomes Pedrosa, o “Robertão”.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Mais uns trocados na conta

Quando começamos a trabalhar e recebemos o primeiro "contra-cheque" tomamos um susto ao ver o montante expressivo de descontos (FGTS, INSS, Contribuição Sindical, etc).

De todos estas contribuições compulsórias a que mais me incomodava era o FGTS pois era um investimento financeiramente horroroso. Você era obrigado a contribuir com um Fundo que não obtinha lucro e ainda por cima lhe remunerava à uma taxa de 3.0% + TR que sequer cobria a inflação (historicamente).

Além disso o saque só era possível em condições extremamente restritas como doenças graves, demissão sem justa causa ou compra de imóvel.

Este cenário mudou radicalmente neste ano primeiramente pela liberação do saque das contas inativas que disponibilizou R$ 44 bilhões aos trabalhadores brasileiros e agora quando menos se esperava outra boa notícia vindo do mesmo tema; dado que o FGTS obteve lucro em 2016 todos os trabalhadores que possuíam saldo no Fundo em 31 de dezembro de 2016 receberão um depósito de uma parcela dos R$ 7 bilhões dos lucros que serão distribuídos.

Para calcular quanto pingará na sua conta do FGTS basta pegar o saldo de dezembro do ano passado e multiplicar por 1.93%.

domingo, 30 de julho de 2017

Nem todos os Gatos são Pardos

Há um velho ditado popular que diz que à noite todos os gatos são pardos; é um ditado que traduz a dificuldade de identificar a cor dos felinos quando não há luz. 

Do que lembro das aulinhas de Física a cor de um objeto é determinada pela frequência da luz que eles refletem; grosso modo um objeto azul recebe a luz branca de fontes como lâmpadas ou o Sol e reflete apenas os raios da frequência azul absorvendo os demais. Um objeto branco basciamente reflete toda a luz direcionada ao mesmo enquanto um objeto preto absorve toda a luz direcionada à ele.

Não à toa sabemos que num dia quente devemos evitar roupas escuras caso não queiramos passar calor e optar por roupas mais claras. 

Assim dizer que à noite todos os gatos são pardos é apenas uma constatação de que em ambientes de pouca luz é mais difícil distinguir alguns detalhes que à luz do dia seriam mais perceptíveis.

O aumento sob júdice do PIS e COFINS sob combustíveis além de pesar no bolso geraram um fenômeno intessante nos Postos aqui da região de São Paulo; talvez pensando em assustar pouco os consumidores com o preço da Gasolina que saiu do patamar de 3,40 para mais de 4,00 por litro a maioria dos banners destaca o preço do Diesel que está no patamar de 3,30 ao lado do Etanol que está na faixa de 2,60.

terça-feira, 18 de julho de 2017

O Mercador de Veneza e a Taxa de Juros do BNDES

Alfredo James Pacino, o Al Pacino, para mim é "o cara"; um ator que infelizmente não tive (e talvez não tenha) o prazer de ver atuando ao vivo na Broadway mas sem dúvida é um dos maiores e mais emblemáticos atores na minha modesta opinião.

Pacino atuou como o personagem Shylock da peça o Mercador de Veneza de Shakespeare tanto no Teatro como na adaptação para as Telinhas; de forma resumida Shylock é um "agiota" judeu que faz um empréstimo um tanto incomum, caso o valor não seja pago o tomador da dívida deverá honrar o pagamento com uma fatia de carne do próprio corpo.

Diferente da peça de Shakespeare a maioria dos empréstimos na vida real são pagos com juros que grosso modo são a remuneração do Banco (ou agente financeiro) pelo serviço de intermediação do financiamento.

Um Banco em geral trabalha com recursos de terceiros, ou seja, ele toma recursos de todos nós nas Cadernetas de Poupaça, CDBs, Letras de Crédito, etc e disponibiliza estes recursos para outras Pessoas Físicas ou Jurídicas que demandem recursos para Projetos e Investimentos.

Bons Bancos adicionalmente prezam por garantir lucro nesta intermediação, ou seja, a diferença entre os juros que eles pagam ao poupadores para os juros que eles cobram dos tomadores deve ser positiva, o famigerado spread bancário.