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sábado, 15 de outubro de 2016

Por que não trabalhamos durante os Jogos do Brasil na Copa Do Mundo?

Meus caros, antes de iniciar gostaria de deixar claro que como quase todos os brasileiros sou um apaixonado por futebol. Vou ao Estádio e gasto várias horas da minha vida assitindo ao Palestra Itália, lendo e debatendo com colegas sobre este esporte que é de forma praticamente unânime uma preferência nacional.

Lá nos idos de 2006 numa aula de Cálculo I, época da Copa do Mundo e um professor lançou a provocação de que deveríamos decidir se queremos ser um país sério ou não uma vez que nenhum outro país bem sucedido trabalhava em regime de feriado nacional durante os jogos da seleção local.

Aquilo ficou na minha cabeça uma vez que de fato não lembrava de Grandes Empresas de países como Alemanha, Japão e Estados Unidos com uma placa "Fecharemos hoje mais cedo devido ao Jogo da Seleção".

Nessa mesma linha algumas coisas me chamam a atenção sobre as prioridades dos Meios de Comunicação os quais teoricamente tentam captar a Preferência do Telespectador. Por exemplo há canais de TV à Cabo focados em Esporte nos quais há um Programa Pré Jogo seguido pelo Jogo de Futebol que emenda com um Pós Jogo e com sorte finaliza-se com uma Mesa Redonda de debates sobre a Rodada do Brasileirão totalizando por baixo cerca de 5 horas ininterruptas discutindo futebol. 

Do outro lado há canais focados em Notícias destinados a debates de temas de extrema relevância para a sociedade num tempo exíguo e de forma no mínimo incompatível com a complexidade do tópico. Para ser mais específico vou dar o exemplo do Programa entre Aspas da Globo News que propôs-se a Debater a famigerada PEC 241 com 2 especialistas em longos 30 minutos com um intervalo. 

Faz sentido essa assimetria entre o grande valor que damos ao Debate de Futebol versus a modesta valorização do debate duma Proposta de Emenda à Constituição?

sábado, 8 de outubro de 2016

Privatizar ou Não Privatizar? Eis a Questão...

A eleição de João Dória Jr no primeiro turno para Prefeito da Cidade de São Paulo foi emblemática por desbancar os chamados políticos tradicionais como Marta Suplicy, Erundina, Celso Russomano e o atual Prefeito Fernando Haddad.

Dória é empresário e filho de um político e construiu sua campanha enfatizando a imagem do Gestor em contraste com a da tradicional velha classe Política.

Uma das pautas do seu Plano de Governo são projetos de Desestatização; falar neste assunto logo após 4 anos de governo do PT é um prato cheio para os críticos ao Capitalismo e bastiões da defesa de Políticas Sociais.

Porém para estas pessoas que acreditam que o chamado Livre Mercado e um Estado Menor são incompatíveis com o Desenvolvimento Social é interessante analisar com maior atenção a pauta dos projetos que serão privatizados.

Há uma grande alvoroço quando por exemplo há rumores de Privatização da Petrobrás, uma empresa referência tecnológica explorando um recurso natural estratégico porém será que faz sentido para a Cidade de São Paulo manter um Autodrómo e um Sambódromo frente à tantas outras prioridades?

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

A Economia do Compartilhamento

Por que o Custo do Plano de Saúde Coletivo (de um funcionário de uma Empresa por exemplo) é menor do que um Plano de Saúde Contratado Individualmente?

A resposta simplificada dessa questão nos ajuda a entender como o compartilhamento de riscos e benefícios de um indivíduo pode ajudar a melhorar a condição da coletividade. 

Basicamente nos Planos de Saúde  Empresariais, independente da utilização, os funcionários pagam uma Tarifa Mensal tal como o Plano de Saúde contratado Individualmente porém numa amostra grande (exemplo 1000 funcionários) quantos utilizam com alta frequência o Benefício (realizam consultas periódicas, exames, procedimentos cirúrgicos, etc)?

Grosso modo deve haver um pequeno número de funcionários que utiliza com alta frequência o auxílio médico um grande número que utiliza moderadamente e um pequeno número que nunca sequer utilizou.

Pego o meu exemplo, mesmo me considerando preocupado com a minha Saúde se muito vou 1 vez ao mês há algum Médico/Especialista e na Empresa que trabalho a maioria das pessoas apresenta a mesma frequência ou até menor.

Em suma, a Operadora do Plano de Saúde pode cobrar menos de cada indivíduo porque num universo grande de pessoas há um número maior de indivíduos que consome pouco (ou nada) daquele benefício e irá financiar os indivíduos que consomem muito. 

Na média todos saem satisfeitos pois você que vai pouco ao médico não reclama do preço cobrado por achar justo ou até mesmo barato enquanto os que utilizam bastante pagam bem menos do que se comparado à um Plano de Saúde Individual.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Pessoas Ricas pagam menos Impostos?

No ano passado uma pesquisa elaborada pela Fecomércio apontou que 25% da pessoas (1 em cada 4) não sabia que pagavam impostos.

Isso parece um tanto quanto estranho face a alta carga tributária brasileira, cerca de 33% do PIB, um patamar bem superior ao dos nossos colegas Latino Americanos que apresentam em média 22% do PIB.

Essa ilusão que algumas pessoas tem de não pagar impostos passa por uma "jabuticaba" brasileira (coisas que só temos por aqui), que é a alta taxação do consumo.

O problema de tributar o consumo é gerar distorções no sentido que não há progressividade, ou seja, o imposto de um maço de cigarro ou de uma lata de cerveja é o mesmo independente da renda do consumidor.

Um bom exemplo de Imposto Progressivo é o Imposto de Renda, Hoje no Brasil quem ganha um salário de até R$ 1.900,00 é isento de IR e a Alíquota vai de 7,5% até 27,5% conforme tabela abaixo:


Grosso modo, para cálculo de Imposto de Renda quem ganha mais paga mais, algo justo no sentido de desigualdade de renda.

sábado, 3 de setembro de 2016

O Custo de Cozinhar

Hoje conheço inúmeras pessoas com gosto pela arte culinária; cozinhar não é mais um pesado fardo nem mesmo uma tarefa exclusiva do público feminino, uma visão cada vez mais antiquada nos tempos de hoje.

Inúmeros fatores colaboraram para essa mudança de hábitos e costumes como por exemplo um arranjo social no qual mulheres e homens possuem as mesmas atribuições tanto dentro como fora do lar.

Além disso a Internet e Canais de TV à Cabo contribuiram muito ao dar visibilidade de uma diversidade de receitas, sabores  e Chefs Renomados como o Britânico Jamie Oliver e o Francês Claude Troisgois que hoje dividem espaço com Ilustres Chefs Não Profissionais como o caso de Rodrigo Hilbert e seu Tempero de Família.

Outro fenômeno interessante foi o aumento da renda da população brasileira acompanhado do maior acesso à produtos culinários (importados ou não). 

Na minha infância mesmo em grandes supermercados quando falavamos de queijo era muito difícil imaginar tamanha variedade de queijos do tipo Brie e Emmental. Da mesma forma quando se pensava em cerveja era impossível vislumbrar uma prateleira de Belgas, Germânicas e mesmo Argentinas.

Dessa forma, se hoje podemos ir ao mercado e selecionar ingredientes utilizados pelos Grandes Restaurantes e assistir à vídeos detalhados de pratos rebuscados por que pagaríamos uma grana alta em refeições fora do lar? Ou melhor, se fossemos tentar replicar  uma receita famosa na nossa casa qual custo teria o nosso prato frente ao de um Chef Profissional?

sábado, 20 de agosto de 2016

A Bola e o Bastão

Responda o seguinte problema com a primeira resposta que lhe vier a mente:
 
I. Um taco e uma bola de baseball custam juntos US$ 1,10.
II. Sabe-se que o taco custa US$ 1,00 a mais que a Bola.
P. Quanto custa a Bola?
 
Este é um problema apresentado no Livro Rápido e Devagar de Daniel Kahneman, Psicólogo vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2002 devido sua contribuição no campo de Finanças Comportamentais.
 
A resposta correta é US$ 0,05 porém observa-se que um grande número de pessoa responde US$ 0,10. Caso tenha sido este seu caso faça a soma do preço do taco mais o preço da bola e veja se o resultado é US$ 1,10.
 
O livro vale a leitura inclusive por ter aplicação muito mais abrangete do que a Ciência Econômica. A questão mais importante que gostaria de destacar utilizando o exemplo da Bola e do Bastão são erros de julgamento que incorremos por não termos a disciplina de checar uma informação.
 
Alguns exemplos que podem levar o leitor (ou um ouvinte) a uma conclusão equivocada caso não haja a disciplina de conferir a veracidade dos fatos:

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

O que é ser Keynesiano?

Poucos Economistas causaram tanto impacto nesta ciência como o Britânico John Maynard Keynes. Sua obra revolucionou o pensamento econômico e seu livro "A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda" é sem dúvida um divisor de águas para todos que o sucederam.

Curiosamente definir hoje o que é ser Keynesiano é uma tarefa no mínimo complicada, principalmente do lado de cá da Linha do Equador.

Prova disso é a diversidade de ramificações de pensadores que se consideram influenciados por Keynes como Keynesianos Clássicos, NeoKeynesianos, Keynesianos Jurássicos e Keynesianos de Quermesse (créditos aqui para Alexandre Schwartsman).

Confesso que fui ler a Teoria Geral apenas após formado, mais especificamente 4 anos após minha Formatura. É um livro de fato diferenciado quando pensamos no período no qual foi escrito. O livro foi lançado em 1936, logo após a Grande Depressão que teve como marco inicial o Crash da Bolsa no dia 24 de Outubro de 1929 (também conhecida com 5a feira negra).

Uma provocação: você acredita que a Redução da Taxa Básica de Juros pode estimular o PIB? Então você é Keynesiano (apesar de muitos colegas de ofício discordarem). Esse conceito para nós atualmente parece óbvio porém a formulação deste efeito só foi introduzida de forma estruturada na literatura econômica por Keynes, antes nenhuma obra tratou esta relação de forma tão objetiva como a Teoria Geral.