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domingo, 28 de maio de 2017

Fatos Antecedentes

Quando falamos da análise macroeconômica é comum que alguns fatos antecedam a variável de interesse que estudamos.

Um exemplo de um fenômeno natural com essa característica é o movimento do mar numa onda (ou no extremo num tsunami) no qual primeiramente observa-se o recuo da água em direção ao oceano para posteriormente seu retorno em direção à terra.

No mundo das finanças isso é visto no movimento de ações para o qual a teoria em geral aceita a tese de que o preço hoje é uma função da expectativa de dividendos e geração de caixa futura. Dessa forma os preços sobem e caem no presente ante um fato que ainda não se realizou (maiores ou menores lucros nos períodos futuros).

Em ambos os casos é importante não confundir indicador antecedente com causalidade, ou seja, não é o recuo do mar que causa uma onda gigante da mesma forma que não é o aumento do preço de uma ação hoje que elevará a lucratividade de uma empresa porém ambos fenônemos, se analisados com rigor, podem auxiliar na elaboração de previsões.

Não à toa os modelos estatísticos de Séries de Tempo utilizados na Macroeconomia via de regra valem-se de variáveis defasadas; grosso modo olha-se o passado e o presente para suportar os diagnósticos quanto ao futuro.

Nesse sentido, quando falamos de recuperação da indústria há duas variáveis que gosto de olhar, Utilização da Capacidade Instalada e a Expedição de Papelão.

A primeira indica se o Empresário possui margem de manobra para elevar sua produção e quando situada em níveis elevados aponta uma pressão de demanda que em geral incentiva Investimentos em mais Capacidade Produtiva.

A segunda também nos dá algum indício sobre a Demanda por bens industriais uma vez que o Papelão é muito utilizado como embalagem destes itens e um aumento na utilização do mesmo aponta que a Indústria provavelmente está aumentado sua Produção.

domingo, 21 de maio de 2017

Amanhã vai ser Outro Dia

Há um bom tempo aprecio as composições de Chico Buarque; independente da diferença entre nossas convicções ideológicas qualquer análise inteligente tem que ser guiada pela luz da racionalidade mais do que por uma paixão que pode confundir sua objetividade.

Por meses ouvimos falar que todo o processo de Impeachment foi um Golpe orquestrado pela "Direita" inescrupulosa em conluio com a Mídia e Grandes Corporações.

Nessa turbulenta semana foi divulgada a existência de um acordo de colaboração (Delação Premiada) da Empresa JBS que envolvia entre outros nomes o Senador Aécio Neves e o Presidente em Exercício Michel Temer.

Curiosamente os mesmos agentes considerados golpistas estão hoje no olho do furacão; alguém agora reclama da atuação dos meios de comunicação? Alguém agora levanta a placa de que os maestros do golpe que acometeu Dilma Roussef estavam blindados e protegidos da ação do Judiciário.

A Operação Lava Jato ainda não acabou porém o grande legado que está em construção é a quebra do paradigma de que a classe política pratica atos de corrupção e permanece impune. 

Toda pessoa é inocente até que se prove o contrário mas acima de tudo que está claro que independente do partido ou da pessoa toda atividade suspeita será investigada e se comprovado algum ilícito os responsáveis serão punidos.

domingo, 30 de abril de 2017

11 x 1

Só saberemos no dia primeiro de junho (previsão da divulgação dos dados de Contas Nacionais do IBGE) porém é provável que após um longo e tenebroso período de quedas do PIB observaremos um trimestre de crescimento versus o mesmo período do ano anterior.

Até Dezembro do ano passado atingimos o recorde de 11 trimestres consecutivos de queda (gráfico abaixo). Nunca antes na história deste país observamos um período de penúria tão longo; as crises econômicas por aqui se caracterizavam até então por quedas abruptas porém após um espaço de tempo razoavelmente curto havia sinais claros de recuperação.


As razões para estarmos numa situação como esta são diversas e vão muito além do cenário internacional. China e Estados Unidos, as chamadas locomotivas da economia mundial, de fato cresceram menos em 2016 (6.7% e 1.6% respectivamente) mas um desempenho tão negativo como o brasileiro, que registrou uma retração no Produto Interno Bruto de 3.6% no ano passado. só é comparável a países que passaram por Guerra Civil.

O impacto das operação Lava Jato provavelmente colaborau com o pífio desempenho da economia brasileira no período porém é forçar demais a barra creditar todo a recessão às ações do nosso Judiciário.

Um bom exemplo está no comportamento da inflação que atualmente é a única boa notícia que observamos (o útltimo Relatório Focus indica uma exepectativa de IPCA de 4% para este ano). Passamos por um longo período de alta inflação mesmo com SELIC elevada não devido à Lava Jato mas única e exclusivamente por intervenções desastradas do Governo aliadas à um Banco Central complacente.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Caixas e Caixas de uma Campanha Eleitoral

Um ponto que é uma tônica desde que decidi redigir algumas linhas neste espaço é a facilidade em obter informações nos dias de hoje.

A Delação de Marcelo e demais membros da Odebrecht de fato foram a grande sensação da semana; os vídeos chamam mais atenção de que qualquer seriado do Netflix e ocupam o hot topics de vários grupos de Whatsapp.

A maior parte dos acusados de receber dinheiro de propina na Campanha Eleitoral (seja no Caixa 1 ou no Caixa 2) alegam que ou todas as doações foram registradas no TSE ou não reconhecem qualquer valor não contabilizado.

Uma dúvida veio à minha mente, quanto custa uma campanha eleitoral? Adicionalmente será que o Caixa 1 é tão pequeno que é necessário um Caixa 2 para pagar agrados, aspones e tirar um "por fora"?

Pois bem ao checar o site do TSE - Tribunal Superior Eleitoral há uma ferramenta muito útil chamada Prestação de Contas Eleitorais (http://www.tse.jus.br/eleicoes/contas-eleitorais/contas-eleitorais-normas-e-regulamentos). Nela o leitor mais curioso pode consultar as Receitas e Despesas de todos os candidatos à todos os cargos de cada eleição.

domingo, 2 de abril de 2017

Papo de Buteco

Nas últimas semanas tenho passado grande parte do meu tempo em bares, butecos e similares mas na medida do possível acompanho também o Debate Econômico para o qual a pauta do momento é a Reforma da Previdência. 

Por mais estranho que pareça muitas vezes a qualidade dos argumentos de (alguns) Economistas não fica muito longe da que observo nas mesas de Bar.

Num buteco ninguém exige rigor acadêmico dos participantes da discussão e após algumas rodadas de bebidas é provável que argumentos inconsistentes passem despercebidos. Porém quando se trata de Mestres e Doutores titulares de Grandes Universidades que em alguns casos possuem inclusive grande Espaço na Mídia seria plausível acreditar que a argumentação fosse sóbria e apoiada num alicerce um tanto mais sólido de que uma lata ou garrafa de cerveja.

Não é bem o que parece por intervenções recorrentes da ala keynesiana dos economistas tupiniquins nas últimas semanas. Esperar que Wagner Moura e Camila Pitanga (apesar de excelentes atores) tenham profundo conhecimento estatístico e econômico é acreditar no conto da carochinha porém um Doutor em Economia deveria ter um pouco mais de rigor quando abre sua boca para vociferar uma tese que não se sustenta.

A bola da vez é a confusão com o Conceito de Expectativa de Vida. Uma rápida pesquisa no Google indica que no Brasil a expectativa de vida média ao nascer é de 75 anos. Os piores Estados nesse quesito são Piauí e Maranhão que apresentam expectativa média de 70 anos. Quando se discute a fixação da idade mínima de 65 anos para aposentadoria é muito fácil (e conveniente) dizer que é uma medida cruel e que milhões de brasileiros morrerão sem se aposentar.

Para acabar com essa falácia Alexandre Schwartsman publicou nesta semana a variável que realmente importa na análise da Previdência que é a expectativa de vida ao se aposentar. Diferentemente do primeiro conceito que é poluído por fatores como Mortalidade Infantil e a Criminalidade nos Estados e Municípios o gráfico elaborado por Alex mostra que no Brasil uma pessoa ao completar 65 anos possui uma Expectativa Média de Vida de 83 anos (vide abaixo).

sábado, 11 de março de 2017

Experimentos

O Economista é um tipo de Cientista muito particular; nosso Laboratório muitas vezes é uma prancheta e uma planilha de Excel e em outras apenas a nossa fértil imaginação.

Diferente do Químico ou Farmacêutico que pode aplicar a Ciência e realizar testes empíricos, muitas vezes o Economista simplesmente fala sua Teoria com base em Convicções nem sempre apoiadas por Dados.

Muitas vezes trata-se de falta de rigor acadêmico porém em outras é de fato impossível realizar alguns testes ou mesmo coletar certos dados. 

Outras vezes um experimento é realizado sem ninguém planejar e serve de lição e aprendizado. Um caso clássico e triste foi o da Greve de Policiais no Espírito Santo.

Muito se debate sobre o papel do policiamento na manutenção da segurança e redução da criminalidade porém nem o mais maldoso economista iria propor o teste da hipótese "o que aconteceria com a criminalidade se tirássemos todos os policiais da rua?. Por uma série de fatores esse experimento aconteceu e o resultado foram cenas de barbárie similiares a do seriado Walking Dead.

Pois bem, no mundo econômico há uma situação intessante vislumbrada por Keynes o qual sugeriu enterrar garrafas cheias de dinheiro em minas de carvão desativadas para que as empresas retomassem a exploração gerando assim empregos e renda.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Dinheiro pra que Dinheiro?

Dificilmente ando com dinheiro na carteira, esse é um costume de longa data por pensar que independente do valor qualquer centavo rende mais investido do que na minha carteira ou no meu bolso.

Hoje em dia a facilidade dos meios de pagamento diminuiu em muito a demanda por dinheiro em espécie (notas e moedas). Se no passado lojistas não se sentiam confortáveis em processar pagamentos de pequeno valor no Cartão de Débito/Crédito (em virtude das tarifas cobradas pelas máquinas) hoje em dia ocorre fenômeno oposto, a escassez de "troco" está causando um fenômeno oposto, os lojistas se encontram em apuros quando alguém decide optar pelo pagamento em espécie.

Nesse cenário a famosa tática de dar "balinhas" como troco é uma alternativa porém está longe de ser algo amplamente aceito por consumidores.

No final de Julho de 2016 o aplicativo de compartilhamento de viagens Uber começou a aceitar dinheiro como meio de pagamento. Quando li a notícia achei uma medida sem sentido, talvez pela minha postura de nunca ter dinheiro em espécie não consegui enxergar qual a vantagem de tal decisão.

Na semana passada utilizei o Aplicativo e não pude deixar de realizar este questionamento, de forma simples perguntei ao motorista o que ele achava da medida. Me surpreendeu o fato dele responder que havia uma demanda considerável de pessoas que optava por pagar em dinheiro.