Home

domingo, 10 de julho de 2016

O Enigma da Esfinge

A palavra Esfinge deriva do grego sphingo e significa estrangular. Reza a lenda que a temida Esfinge estrangulava todos os que não conseguiam desvendar seus engimas ficando famosa a expressão por ela proferida "Decifra me ou te devoro".
 
Na mitologia acredita-se que o mais famoso enigma consistiu na pergunta "Que criatura pela manhã tem quatro pés, ao meio dia tem dois e à tarde tem três?"
 
Outra questão que para muitos parece tão ou mais enigmática é qual o real comprometimento do Governo Interino de Michel Temer com um Ajuste Fiscal de Longo Prazo principalmente após anunciar uma estimativa de Déficit Primário de R$ 139 bilhões para 2017.
 
Será que o Dream Team de Economistas capitaneado por Henrique Meirelles e Ilan Goldfajn já não teria tempo para apresentar um resultado positivo?
 
Ademais, após um Discurso de Posse de Austeridade chama atenção alguns atos digamos mais frouxos como o Reasjuste Salarial do Funcionalismo Público com impacto estimado de R$ 58 bilhões até 2019 e a Renegociação da Dívida dos Estados os quais deixarão de pagar cerca de R$ 20 bilhões em juros só em 2016 e um total de R$ 50 bilhões até 2018.

domingo, 3 de julho de 2016

Chi Chi Chi Le Le Le

O Chile há algum tempo vem gahando destaque não apenas no Futebol (no qual dentre outras proezas sagraram-se recentemente Bicampeões da Copa América em cima da Argentina e por tabela "aposentaram" o gênio e melhor jogador que já vi jogar Lionel Messi da Seleção Hermana) mas também no Cenário Econômico.
Estive no país e percorrendo a cidade cercada pela Cordilheira e desfrutrando de bons vinhos também tive a oportunidade de pegar um rápido panorama do Segundo Mandato da Presidenta Socialista Michel Bachelet. Estava de férias mas certos vicíos de olhar o mundo sob a lupa do Economista são difíceis de largar.
Além de um viés Estatizante e defesa de um Estado Forte Bachelet guarda outra semelhança com nossa Presidenta Afastada, ambas se formaram em Economia. Michele leu da mesma parca literatura que inspira muitos dos ícones da Heterodoxia Tupiniquim e quer aproveitar seu Segundo Mandato para realizar alguns Experimentos.
Em seu primeiro mandato (2006-2010), tal como no primeiro mandato Petista no Brasil, Bachelet decidiu manter o receituário econômico de Mercado Livre e Concorrencial e o Chile manteve um bom Crescimento Econômico;  seu nível de aprovação atingiu cerca de 84% ao final do período em que governou.
No Chile não há reeleição presidencial então Bachelet teve que aguardar até 2014 para se candidatar e retornar ao poder. Sua principal plataforma foi a Reforma Educacional e a promessa de Ensino Superior Gratuito (o plano possui outras frentes populistas porém para não me estender muito focarei nesse pilar; uma boa matéria sobre o panorama geral pode ser lida aqui.)
No Chile mesmo Universidades chamadas de Públicas não são gratuitas. Nesses casos o Governo oferece um subsídio às Escolas visando reduzir os custos da Entidades e dessa forma reduzir a mensalidade cobrada dos alunos.

domingo, 19 de junho de 2016

Realidade Paralela

Tenho grande apreço pelo trabalho das Univesidades Públicas e tive a oportunidade de ter cursado um Ensino Superior de Qualidade graças ao bom trabalho de Funcionários Públicos e em especial da Sociedade que destina cerca de 5% do ICMS para custear os gastos da Universidade de São Paulo - USP.
 
Para ter uma noção do "esforço" da sociedade a cifra prevista para 2016 é de algo em torno de R$ 5.0 bi. Desse valor destaca-se que cerca de 97.6% são destinados a Folha Salarial dos Funcionários da USP enquanto 1.36% são destinados a Investimentos.
 
Para o ano de 2016 a USP planeja comprometer 103% das suas receitas com a Folha Salarial e o leitor atento concluiu que essa conta só fecha se houve Déficit nas Contas da Universidade, o qual foi estimado em cerca BRL 546 mi para este ano.
 
Diante deste cenário, obviamente insustentável, há dois caminhos: I. revisar a estrutura de gastos da Universidade e analisar se há "gordura" para cortar ou II. pedir ao Governo que aumente o repasse de ICMS para permitir entre outras coisas um Aumento Salarial mais adequado para os Funcionários da Universidade.

sábado, 11 de junho de 2016

A Foto e o Filme

Um abordagem muito utilizada quando se analisa uma empresa ou um país é a diferença entre a situação naquele momento (uma foto ou posição estática) e a perspectiva (o filme ou projeção dinâmica).
 
Em geral uma foto bonita somada a bons argumentos leva um Analista Econômico à projetar um belo filme e de forma análoga uma foto feia e/ou perspectivas ruins impactam negativamente as Projeções e Cenários Econômicos.
 
No caso brasileiro um bom exemplo do descolamento do que se projetava e o que se concretizou foram as capas da Economist:


Se esperava muito do país porém uma sério de erros de Política Econômica somados à gravíssimos escandâlos de corrupção nos levaram ao atual cenário.
 
Atualmente o grande debate é como colocar a Economia de volta aos trilhos e estabilizar as Finanças Públicas. Um excelente post do professor Bernardo Guimarães destaca o Tamanho da Encrenca da atual Equipe Econômica.
 
Apesar do excelente time liderado por Henrique Meirelles e Ilan Goldfajn montado pelo Presidente interino Michel Temer hoje o país se encaminha para uma Dívida Bruta de cerca de 70% do PIB, um Déficit Primário projetado de quase 3% do PIB e perspectivas modestas de Crescimento do PIB
 
Em seu post Bernardo destrincha o esforço necessário para estabilizar a Relação Dívida/PIB; aproveitei a deixa para colocar em termos gráficos a situação nos próximos 6 anos com alguns ajustes nas premissas adotadas (os valores estão em % do PIB):

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Sobre Midas e Guido Mantega

O Toque de Ouro é um famoso mito atribuído ao Rei Midas na Mitologia Grega; aliás Midas de fato existiu e reinou na Frígia (uma região hoje pertencente a Turquia) no século VIII a.c.
 
Na mitologia grega Midas foi agraciado com um desejo pelo deus Baco (o famoso deus do Vinho) após ter cuidado do velho Sileno, pai de criação de Baco, o qual após tomar umas e outras foi encontrado ao relento.
 
Podendo escolher o que quisesse Midas pediu a Baco "todo o ouro em que pudesse pôr as mãos". Talvez o Rei tenha se expressado mal porém o que acontecera é que tudo o que ele encostava transformava-se em ouro. No princípio poderia parecer algo interessante mas alguns problemas não tardaram em aparecer como o fato de Midas não puder sequer se alimentar  já que todo alimento que tocava transformava-se em ouro e o pior, a própria filha de Midas ao encostar no pai fora também transformada em ouro.
 
Os mais curiosos podem buscar na internet o desfecho da história; porém há outro mito um pouco menos famoso sobre Midas. Numa espécie de The Voice entre a Harpa de Apolo, o deus Sol e a Flauta de Pã, o deus dos Bosques no qual o jurado era Timolo, o deus das Montanhas, Midas questionou a vitória de Apolo o qual ficara furioso e como punição pelo audacioso comentário conferiu Orelhas de Burro à Midas.
 
O que tudo isso tem a ver com Guido Mantega? Alguns leitores podem considerar que as Orelhas de Burro de Midas caberiam perfeitamente na cabeça do Professor Guido porém a maior semelhança que acredito decorre do fato de que em algum momento ao longo dos 9 anos em que liderou o Ministério da Fazenda Guido de fato acreditara que possuía o Toque de Ouro de Midas.

domingo, 15 de maio de 2016

Um Breve Update

Destaquei em post passados e recomendo a quem tiver tempo acessar as bases de dados disponibilizadas por órgãos como Banco Central e Tesouro Nacional (clique para acessar as respectivas páginas).

Em agosto do ano passado fiz uma análise das Contas Públicas por fontes de Receita e Despesa. Hoje atualizei a tabela com os dados disponíves até Março/16 e podemos ver que os desafios do Brasil se tornaram ainda mais complicados.

A previdência continua sendo a conta que menos fecha no Balanço do País; no acumulado até Março a diferença entre Contribuições e Benefícios é de aproximadamente R$ 29 bilhões ou cerca de 1.9% do PIB.

Não à toa qualquer pessoa com bom senso acredita que uma Reforma Previdenciária é tópico de urgência. Muito se discutirá para preservar o Direito Adquirido de quem está prestes a se aposentar tal como a aplicabilidade de Idade Mínima para aposentadoria de trabalhadores rurais e/ou que se empenharam em atividades desgastantes porém algo precisa ser feito para garantir que haja Previdência no futuro.

Esse será um tema espinhoso (dentre tantos) para a equipe de Henrique Meirelles; a grande vantagem deste é que agora tanto o Presidente em Exercício como os Partidos da Base Aliada estão mais alinhados em torno de uma Agenda de Reformas do que estavam seus antecessores.

 

 
 
 




sábado, 7 de maio de 2016

Ser Diferente é Normal

Nunca fui um entusiasta de Sambas Enredo, minha preferência é pelo bom e velho Samba de ícones como Cartola e Bezerra da Silva; porém em 2007 por algum motivo o Samba Enredo da Império Serrano entitulado "Ser Diferente é Normal" inspirado no Instituto Meta Social ficou na minha cabeça.
 
Talvez tenha sido a nobre causa do Instituto que atua no combate ao preconceito ou o próprio trocadilho do slogan que fixou a expressão na minha mente a ponto de lembrá-la hoje, passados mais de 9 anos.
 
Roubando outra expressão muito utilizada por Comentaristas de Futebol temos um Virtual Novo Líder, Michel Temer. Longe de ser um Político Exemplar e que inspira confiança há uma inegável virtude no atual VP, saber dialogar e cercar-se de gente boa (diametralmente oposto de Dilma Vana Roussef que consolidou uma imagem arrogante por não estimular o diálogo e cercar-se de profissionais incompetentes e mesmo corruptos).
 
Temer e seu staff falam estrategicamente de um período de Travessia Social  que obviamente não será um período de "mar de rosas" porém uma janela de oportunidade para fortalecer instituições e implementar reformas estruturais.
 
Algo que me chama atenção nas propostas ventiladas por Temer e talvez seja unanimidade para todos que já passaram por Escolas Públicas e Economistas como bom senso é a proposta de que Professores possuam salários diferentes de acordo com o desempenho.
 
Sindicatos e Grupos de Esquerda se manifestaram contra a medida por considerar um absurdo funcionários públicos numa mesma função receberem salários diferentes. Estas classes são intelectualmente míopes por não constatar algo que mesmo quem não estudou economia sabe desde muito cedo: as pessoas reagem à incentivos.