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domingo, 25 de dezembro de 2016

O Mundo Mudou!

Estava em casa e num intervalo comercial foi veículado uma propaganda de Natal da empresa Boticário. Esperava uma propaganda clichê de uma família trocando presentes e dentre eles algum perfume ou cosmético mas o que chamou a atenção foi a escolha de um tema diferente, o Natal de crianças de pais separados/divorciados.

Por mais que seja algo comum, não me lembro de alguma outra empresa explorar esta situação. Na prática é muito mais fácil retratar o natal de uma "família perfeita" mesmo que essa não seja uma cena tão frequente nos dias atuais como já foi no passado.

Enfim, pensando no funcionamento do mercado essa tática pode inclusive ser mais efetiva do que a de casais que viveram "felizes para sempre"; vivemos num mundo real e os consumidores criam conexões muito mais sólidas com empresas que entendem a realidade na qual estamos inseridos.

Para adotar uma estratégia menos convencional é preciso coragem e ousadia, pensar fora da caixa e fugir do senso comum. Esta propaganda é um exemplo porém olhando ao meu redor e aproveitando o cenário de Retrospectivas 2016, este foi sem dúvida um ano de quebra de tabus.

Hoje temos Governadores, Senadores, Ministros e Empresários presos, vendo o nascer do Sol numa janela quadrada e trajando uniformes de presidiário. A velha frase de que "só pobre vai para cadeia" começa gradualmente encaminhar para algo como "a justiça tarda mas não falha".

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Sentimento de Vergonha Alheia

Srs,

gosto de criticar a Política Petista e a incompetência de Dilma Vana Roussef, porém faço isto num tom sarcástico e didático sobre medidas que ao meu ponto de vista foram erros crassos.

Não sou professor universitário e à mim não foram conferidas até o momento honrarias que me tornem apto à formar jovens economistas neste Brasil varonil.

Adicionalmente não gosto de generalizações do tipo a Faculdade A "de direita" é melhor do que a Faculdade B "de esquerda"; posso ser um tanto romântico porém ainda acredito que mesmo com professores incompetentes, num ambiente de estímulo à busca de conhecimento é sim possível formar bons profissionais independente da academia que se frequenta.

Hoje meu compromisso para com os poucos mas estimados e fiéis leitores é compartilhar minha humilde visão econômica numa linguagem despojada e atacar aqueles que acreditam em almoço grátis, acham que o país está em recessão por um mero acidente e que se estivessemos gastando mais , tudo estaria numa boa.

Alguém acha que o Rio de Janeiro não possui dinheiro para pagar Aposentadoria por um acidente? Que se o Estado estivesse gastando mais, a situação seria menos vexatória? Alguém em sã consciência de fato acha que a Adminsitração Pública é eficiente e que não houve e não há desperdícios e má gestão de recursos públicos?

sábado, 3 de dezembro de 2016

Média x Mediana

Suponha que você quer estimar o nível de riqueza de um grupo de 3 amigos sendo que:

- Doriazinho possui BRL 1.0 milhão
- Zézinho possui BRL 200 mil
- Sofrência possui BRL 0 merréis

Se utilizarmos a boa e velha média simples concluiremos que este trio parada dura possui uma riqueza média por cabeça de BRL 400 mil. 

Porém é correto afirmar isto sabendo que a pobre Sofrência não possui um tostão furado na carteira?

Em termos estatísticos quando há uma grande variabilidade na amostra de dados utilizar a Média pode gerar conclusões imprecisas por conta dos chamados outliers (pontos fora da curva).

Nestes casos o manual do bom Estatístico recomenda utilizar a Mediana como uma medida mais confiável; grosso modo "tirar a Mediana" é ordenar os valores em ordem crescente e localizar justamente o valor que está no meio dessa lista (no nosso exemplo a Mediana seria BRL 200 mil, a riqueza de zézinho).

Agora passado um ano suponha que a riqueza do nosso grupo de amigos é:

- Doriazinho possui BRL 4.0 milhões
- Zézinho possui BRL 200 mil
- Sofrência possui BRL 0 merréis

Para não piorar a situação da Sofrência vamos assumir que não temos riqueza negativa (cheque especial, cartão de crédito com saldo devedor, etc). Repare que houve aumento na riqueza nosso amigo Doriazinho, em bom português o Rico ficou mais Rico.

domingo, 13 de novembro de 2016

O dia que Trump derrotou Vito Corleone

Don Vito Corleone é talvez o personagem mais emblemático do cinema (pelo menos para aquele que aqui escreve). Os dois primeiros filmes da sério O Poderoso Chefão são clássicos e sem dúvida filmes antológicos que serão apreciados daqui há muitos anos.

Uma outra opinião pessoal é que mesmo sem Marlon Brando o segundo filme supera o primeiro, em especial por contar a trajetória de Vito Andolini antes de se tornar Don Corleone. Neste filme Robert De Niro representa o imigrante italiano que chega da Sicília para se tornar um dos mais poderosos mafiosos de Nova York.

Pois bem, a eleição de Trump parecia algo inimaginável, muita gente supostamente entendida no assunto dava como certa a derrota do Topetudo candidato na semana que passou, fato que não se concretizou.

No decorrer da campanha, a minha maior "esperança" na derrota de Trump era que independentemente do eleitor americano reconhecer a estupidez de propostas como obrigar a Apple a produzir Iphone nos EUA ou proibir o Comércio Internacional com a China, a população ouviria o clamor de celebridades do país as quais se posicionaram contra o Magnata Republicano.

A declaração mais incisiva foi a de Robert de Niro (vídeo abaixo) na qual além de chamar Trump de palhaço destaca que gostaria de dar um "soco na cara" do candidato.

Para mim nada mais forte do que uma mensagem do Poderoso Chefão para colocar um pouco de juízo na cabeça do eleitor. 

domingo, 6 de novembro de 2016

Barras de Ouro que Valem Mais do que Dinheiro

Estava aqui com meus botões lembrando algumas coisas da década de 90 como por exemplo a falta de opções de entretenimento como Netflix, Canais On Demand, Jogos On Line e Acesso à Canais de TV fechada (paga) e uma das minhas recordações foi do icônico Sílvio Santos.

Em especial lembrei de premiações nas quais o Homem do Carnê do BAÚ proclamava que o pagamento seria realizado em Barras de Ouro que Valem Mais do que Dinheiro.

Quem pesquisar no Google esta frase terá um número considerável de resenhas sobre o tema e de minha parte fiquei refletindo sobre o provável conhecimento econômico do apresentador que aos Domingos de forma religiosa repetia este mantra em rede nacional. Eis aqui algumas das minhas elocubrações:

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Reduzir os Juros resolve a Crise?

Muitos colegas acreditam que é uma falácia dizer que a Crise nas Contas Públicas se deve à Má Administração, Ineficiência e Excessos nos Gastos Governamentais uma vez que a Conta de Juros Pagos às Raposas Especuladoras do Mercado Financeiro é extremamente pesada.

No mundo mágico heterodoxo o remédio para a Crise Econômico passa de uma forma ou de outra por uma Redução Brusca na Taxa de Juros; neste conto de fadas o Superávit Primário é apenas um detalhe de pouca relevância e quem prega coisas como Reforma da Previdência ou Contenção do Gasto Público é um Agente das Grandes Corporações Capitalistas Rentistas.

Uma comparação tosca mas que ajuda a entender a importância do Superavit Primário inclusive para a Redução dos Juros Pagos é a Comparação com o Orçamento Familiar.

Imagine que você é o provedor ou provedora da sua familía e o Superávit Primário seja aquilo que sobra do seu Salário descontadas as Despesas Fixas (luz, água, telefone, internet, etc) e que o Imóvel que você mora é financiado.

Para ficar mais fácil imagine que no seu financiamento imobiliário o Juros Pago mensalmente é de cerca de R$ 1000. Dessa forma uma pessoa racional tentaria economizar (ter um Superávit) de pelo menos R$ 1000 para pagar os Juros do Financiamento.

Agora imagine que este nosso personagem resolve aumentar a mesada dos filhos, contrata um plano de TV à Cabo com acesso à todos os Canais de Filme e Pay Per View e resolve que irá jantar fora do domicilio todos os dias.

Seu nível de Gastos aumentou de forma permanente (supondo ser muito difícil quebrar os contratos com Operadoras de TV e diminuir a Mesada dos Filhos) porém sua Receita se manteve constante.

Este cidadão percebe que no final do mês não possui um tostão furado para pagar a Prestação do Financiamento e após uma pequena reunião com colegas de bar descobre o motivo de não ter o dinheiro da parcela mensal, a culpa é dos Juros Altos que alimentam o Gordo Bolso de Banqueiros.

sábado, 15 de outubro de 2016

Por que não trabalhamos durante os Jogos do Brasil na Copa Do Mundo?

Meus caros, antes de iniciar gostaria de deixar claro que como quase todos os brasileiros sou um apaixonado por futebol. Vou ao Estádio e gasto várias horas da minha vida assitindo ao Palestra Itália, lendo e debatendo com colegas sobre este esporte que é de forma praticamente unânime uma preferência nacional.

Lá nos idos de 2006 numa aula de Cálculo I, época da Copa do Mundo e um professor lançou a provocação de que deveríamos decidir se queremos ser um país sério ou não uma vez que nenhum outro país bem sucedido trabalhava em regime de feriado nacional durante os jogos da seleção local.

Aquilo ficou na minha cabeça uma vez que de fato não lembrava de Grandes Empresas de países como Alemanha, Japão e Estados Unidos com uma placa "Fecharemos hoje mais cedo devido ao Jogo da Seleção".

Nessa mesma linha algumas coisas me chamam a atenção sobre as prioridades dos Meios de Comunicação os quais teoricamente tentam captar a Preferência do Telespectador. Por exemplo há canais de TV à Cabo focados em Esporte nos quais há um Programa Pré Jogo seguido pelo Jogo de Futebol que emenda com um Pós Jogo e com sorte finaliza-se com uma Mesa Redonda de debates sobre a Rodada do Brasileirão totalizando por baixo cerca de 5 horas ininterruptas discutindo futebol. 

Do outro lado há canais focados em Notícias destinados a debates de temas de extrema relevância para a sociedade num tempo exíguo e de forma no mínimo incompatível com a complexidade do tópico. Para ser mais específico vou dar o exemplo do Programa entre Aspas da Globo News que propôs-se a Debater a famigerada PEC 241 com 2 especialistas em longos 30 minutos com um intervalo. 

Faz sentido essa assimetria entre o grande valor que damos ao Debate de Futebol versus a modesta valorização do debate duma Proposta de Emenda à Constituição?